Em Iperó, pertinho de Aramar, o milionário centro de experiências nucleares da Marinha

ENCHENTES PÕEM EM RISCO O QUE RESTA
DA REAL FÁBRICA DE FERRO DE IPANEMA

Enquanto o Centro Experimental de Aramar, em Iperó, há mais de duas décadas consome verbas e mais verbas para desenvolver o combustível para o submarino nuclear da Marinha, ou coisa parecida, as chuvas e enchentes ameaçam prédios e bens históricos únicos, remanescentes da Real Fábrica de Ferro de Ipanema, a primeira siderúrgica brasileira.
O governador José Serra alardeou pelo twetter na madrugada desta terça-feira (22/12) que visitou Aramar e ficou encantado. Nenhuma palavra sobre o pouco que resta desse sítio histórico ameaçado, que também fica em Iperó, cidade a 130 quilômetros da capital.
Segundo informou recentemente a agência Estado, as águas do Ribeirão Ipanema passaram sobre o vertedouro da Represa de Heideberg, a primeira grande barragem do Brasil, construída em 1811.
A enchente alagou a Casa da Guarda, construída na mesma época, e atingiu a Porta da Maioridade, moldada em ferro, em 1841, para marcar a emancipação do imperador d. Pedro II. O portal foi inaugurado pelo próprio imperador, em 1846.
A abertura das comportas para evitar o rompimento da barragem fez a força das águas colocar em risco também o prédio da Fábrica de Armas Brancas, construído em 1865 com pedras de cantárida. Surgiram grandes fendas no piso sobre o canal e infiltrações na parede.
Todo o conjunto é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e, com o sítio dos Altos-Fornos, não atingido pela enchente, foi declarado patrimônio universal pela Associação Mundial de Produtores de Aço, com sede nos Estados Unidos.
O sítio histórico fica no interior da Floresta Nacional (Flona) de Ipanema, mantida pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). O chefe da Flona, Alexandre Cordeiro, disse que o assoreamento da represa agravou os efeitos da cheia. "A capacidade de segurar a água está muito reduzida e tivemos de abrir as comportas para reduzir o risco para a barragem."
A represa produziu energia hidráulica para a fabricação de ferro entre 1811 e 1912, quando a fábrica foi desativada. Cordeiro vai pedir uma verba de emergência ao governo para desassorear o lago e refazer as vedações da barragem. "São necessários cerca de R$ 4 milhões", disse.
Leia mais em http://www.cruzeirodosul.inf.br/materia.phl?editoria=39&id=246445
http://www2.mre.gov.br/dai/b_argt_278_755.htm

Em tempo: pelo Twetter, no final da tarde de 23/12, a Secretaria de Cultura do Estado respondeu às críticas do NP. Confira a argumentação do governo:
@noticiapopular @joseserra_ Em resposta o seu tweet: Remanescentes da Real Fábrica de Ferro de Ipanema, Floresta Nacional Ipanema - Iperó...foram tombados ex-officio pelo CONDEPHAAT em 1974. Diz a legislação: bens tombados na área do Estado pelo IPHAN...serão inscritos nos Livros do Tombo respectivos, a fim de se beneficiarem c/ obras e iniciativas do Conselho. ...Há levantamento fotográfico de 97. Em 2008, foi realizada nova vistoria, que não constatou irregularidades. ...Ao receber notícias sobre alagamentos, CONDEPHAAT procurou os responsáveis e o local estava fechado p/ visitação. ...O órgão planeja nova vistoria qdo for possível agendar; IPHAN será contatado p/ informar sobre ações na área.

Também via Twetter, a nossa resposta:@CulturaSP Obrigado pela atenção. De qq forma NP ficará de olho. Lembrando: o chefe da Floresta Nacional avalia em 4 mi as obras de reparo.

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