UMA IMAGEM X MIL PALAVRAS

Quando comecei no jornalismo, era comum a expressão 'uma imagem vale por mil palavras'. Sempre invejei os colegas do fotojornalismo, porque iam mais cedo para o bar. E também porque num clique conseguiam dizer muito mais do que eu com as letrinhas.
Quantas vezes saí com o José Maria da Silva ou o José Luiz Conceição para cumprir minhas pautas pelo NP. Nós chegávamos da rua, eles iam para o laboratório e em seguida deixavam um monte de fotos na minha mesa. E, muitas vezes, as fotos até dispensavam o meu pobre e enchedor de linguiça texto.
Enquanto eles saíam para o boteco, eu ficava batucando a reportagem numa máquina Royal mil novecentos e moraes sarmento. Fazia a sugestão de chamada, as legendas das fotos e claro o texto da reportagem, dividido, quando era matéria de capa, em no mínimo uma retranca, ou seja um subtítulo.
Hoje em dia, não tenho mais inveja de ninguém. O Zé Maria está aposentado e o Zé Luiz na ativa, mas, claro, em outro jornal.
Sempre gostei de fotografar. Nos meus tempos de assessor de imprensa da prefeitura, em Boituva, tinha uma K 1000, da Pentax. Adorava fazer as fotos sem usar flash. Só na base do fotômetro.
Fotômetro ou fotómetro, para os filhos da era digital, é um aparelho que mede a intensidade da luz. Vinha embutido na máquina. Minha boa K 1000, que eu esqueci num ônibus no começo dos anos 2000, era completamente analógica e tinha um fotômetro embutido.
Mas hoje, em tempos de megapixels, não dá para invejar os meninos da fotografia. A foto acima, fiz com um celular com câmera de dois megas. Sem querer me gabar, está boa pra caramba.
Não precisa de palavras. Explica-se por si. Homens e mulheres com o olhar cansado de fim de dia, pegando um ônibus - lotadaço - para ir para casa. Percebe-se que nem mesmo quem está sentado sente-se confortável. Enquanto isso os políticos - deslocando-se de helicópteros - perdem-se em promessas que jamais vão cumprir sobre o transporte público...
Mas por que estou falando tanto. Clique na foto para aumentá-la e dê sua própria interpretação.

NA NOITE PAULISTANA

Tião Preto e Lipe Canindé
mandam ver no Bar do Alemão
com MPB de primeira linha
Com música da melhor qualidade de domingo a domingo, o Bar do Alemão, do mestre Eduardo Gudin, continua mandando ver na noite paulistana.
Às quartas-feiras, o já quarentão Alemão tem aberto espaço a novos cantores e músicos, que se apresentam como convidados especiais.
Nesta quarta, a atração é Tião Preto, que manja tudo de samba, tem muita ginga e dá um show de talento na interpretação musical.
Tião estará acompanhado no violão sete cordas por Lipe Canindé, outro craque da night de Sampa no momento.
O Bar do Alemão fica na avenida Antártica, 554, pertinho do shopping West Plaza.
O show começa às 21h30 e couvert artístico é só R$ 7.
O telefone do Alemão é 3879 0070.

Clique nos links abaixo e conheça um pouco dos dois:

http://www.youtube.com/watch?v=Noic2Y2ZP2Q

http://www.youtube.com/watch?v=M7L5FlMy-L8

NUM BOTECO DA ZONA NORTE

Papai-Noel chega fora de época
e termina entalado na chaminé
Um garotão de 19 anos tentou bancar Papai-Noel fora do tempo e ficou mais de uma hora entalado na chaminé da churrasqueira de um bar do Mandaqui, zona norte de São Paulo.
Segunda a Agência Estado, o Papai-Noel fanfarrão entrou na tubulação - ou literalmente pelo cano - provavelmente com a intenção de acessar o interior do bar, mas acabou entalado, ficando apenas com os pés à vista na chegada à churrasqueira.
Vizinhos do bar, cujo dono mora no pavimento superior, ao ouvirem os gritos por socorro, acionaram a Polícia Militar pensando que o comerciante passava mal.
Bombeiros também foram acionados minutos depois após o rapaz ser flagrado preso na chaminé.
A equipe de resgate chegou no local à 1h20 e, meia hora depois, safou o Papai-Noel da tubulação.
O caso foi registrado no 13º DP, da Casa Verde.

(Ilustração by Rafael Rivera Soldera)

VAQUINHAS DO BEM

JOANA COW E VACA-BONDE NÃO
DÃO 'REFRESCO' PRA NINGUÉM

Pois é. Eu vi duas das 90 vacas que ficarão expostas até março pelas ruas e outros locais da cidade de São Paulo, no evento muncialmente conhecido como a Cow Parade.
A primeira que eu vi foi no Terminal Sacomã, a Joana Cow, da artista Teca Michele, onde a bichinha, sentada, está estilizada como uma joaninha. A outra - Vaca-Bonde - , do artista plástico Marcelo Calado, eu vi na Estação Mercado, do Fura-Pita.
Animal sagrado na Índia, a vaca, neste caso, é o símbolo de um movimento artístico internacional. Mais de quatro mil delas já passearam por 58 cidades do mundo. Depois de expostas, elas são leiloadas, e o dinheiro vai para instituições sociais.
Muito gostoso encontrar essas vaquinhas. Principalmente quando a gente sabe que elas não são 'vaquinhas de presépio', como a maioria dos políticos que temos, dizendo amém a todas as sacanagens do Executivo em nível federal, estadual e municipal, e que não têm tetas, pra político safado mamar...
São apenas vaquinhas do bem.

BLOG REVIVE NOTÍCIAS POPULARES NA WEB

JORNAL DOS JORNALISTAS PUBLICA
ENTREVISTA COM O CRIADOR DESTE BLOG
Clique na imagem e leia entrevista com Antonio Marcos Soldera sobre o blog Notícias Populares, para o Unidade, jornal do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo.

Clique no link abaixo e veja NP em outras mídias:

http://www.youtube.com/watch?v=iXeXOxt9iYI

O HAITI É AQUI (TAMBÉM)

A ESTA HORA EXATAMENTE
HÁ UMA CRIANÇA NA RUA...

Quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010, alguns minutos após as 13h. Ou seja, sol a pino, pois não fora o horário de verão, seria meio-dia.
O local: rua Major Quedinho, quase altura do viaduto sobre a avenida Nove de Julho, a poucos passos do Legislativo paulistano.
Ali, dois garotos - com certeza drogados - estão estirados na calçada, como se estivessem mortos, num ensaio - talvez - para um futuro não muito distante...
Quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010. Praticamente no mesmo local, nas mesmas condições dos meninos, uma garota se aconchega à mureta, usando uma sacola como travesseiro.
Em minha mente, além da indignação, vejo e ouço a voz marcante de Mercedes Sosa na "Canción para um niño de la calle": A esta hora exactamente, / Hay un niño em la calle.../ ¡Hay un niño en la calle!
Volto para o trabalho. Abro a internet e topo com um interessante artigo da psicóloga Luciana Leis, especializada no tratamento de casais com problemas de fertilidade. O título: E de repente, o mundo todo quer adotar as crianças haitianas, vítimas do terremoto...

A psicóloga começa seu artigo comentando a tragédia e a comoção que tomou conta do mundo diante de tanta desgraça, com muitas pessoas e entidades espalhadas pelo planeta se prontificando a amparar os órfãos, inclusive pela adoção.
Luciana destaca a seguir que os pedidos de adoção são também de brasileiros via embaixado do Haiti.
Fique agora com as conclusões do artigo:
"Porém, quando falamos em adotar uma criança, não estamos falando de um gesto de caridade, e, sim, da constituição de uma família, onde é primordial que essa criança possa ter, acima de tudo, “um lugar de filho”, junto aos pais. Devido ao grande volume de solicitações de adoção de crianças haitianas, penso que possa estar havendo uma confusão na cabeça destes 'candidatos a pais'.

ADOÇÃO NÃO É CARIDADE - "É preciso deixar claro que adoção não é um ato de caridade. Podemos ajudar o povo haitiano de diversas formas: enviando alimentos e dinheiro, prestando serviços voluntários... Não adotando. A adoção é algo muito mais sério e precisa ser bem trabalhada no psiquismo dos futuros pais.
"O próprio Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) fez um alerta que órfãos e crianças abandonadas no Haiti, após o terremoto devastador, devem ser adotados no exterior, apenas como último recurso. O objetivo deste comunicado é preservar a saúde mental destas crianças. É muito mais vantajoso para elas encontrar seus familiares (irmãos, tios, avós) do que saírem de seu país de origem para viverem junto a pessoas estranhas.
"E sem menosprezar o sofrimento haitiano, é bom lembrar também o fato de termos, em nosso País, um grande número de crianças negras pedindo um lar. E que, justamente pelo fato de serem negras, não conseguem ser adotadas, já que é sabido que a maioria dos casais em fila de adoção prefere crianças brancas.
"A impressão que nos dá é a de que por trás deste gesto, pode até mesmo existir um certo ganho de destaque social: “ Este é meu filho, adotei-o durante o terremoto que devastou o Haiti”... A pergunta que fica é se realmente lserá dado o posto de filho a esta criança.
"Precisamos ser cautelosos diante de dramas tão comoventes como este. Uma adoção nestes termos, só seria válida, se esse evento tivesse mobilizado, de fato, o real desejo de adotar uma criança. Não é preciso ir ao Haiti, nem a países africanos, como fazem as celebridades, para encontrar crianças em situação de desamparo emocional, que aguardam ansiosamente por pais que as amem."

HAITI EM NOSSAS CALÇADAS... - NP concorda e assina embaixo o artigo de Luciana. Não estamos aqui falando da ajuda humanitária dada pelo País ao Haiti. Mas, sim, de atitudes como essas de brasileiros se oferecendo para adotar crianças haitianas, quando nossas calçadas, ruas e viadutos estão repletos de moleques em condições semelhantes.
Como diz uma composição de Caetano e Gil feita no final do século 20: O Haiti é aqui / O Haiti não é aqui.
Deixo a seguir os links dessa música e da canção interpretada por Mercedes Sosa. Ouça-as e reflita.
Deixo também os contatos de Luciana, caso você queira entrar em contato com ela.

Haiti
http://letras.terra.com.br/caetano-veloso/44730/

Canción para un niño de la Calle
http://letras.terra.com.br/calle-13/1564373/

Luciana
luciana_leis@hotmail.com
http://twitter.com/lucianaleis
http://lucianaleis.wordpress.com/

E O ARCO-ÍRIS ENTROU NA CONTRAMÃO...

Depois de 44 dias de dilúvio na capital, o arco-íris perdeu a calma e entrou na contramão, num recanto qualquer da Aclimação. Ih, até rimou...
(clique na foto pra ver melhor)