NP pauta Estadão e, por tabela, o Folhão

NP levantou a lebre sobre os PMs nas subprefeituras e pautou o Estadão e a Folha de S. Paulo (edição de 1/11/2010, Cotidiano, págs. C1 e C3).
Leia a matéria do Folhão (abaixo) e compare com o post inicial de NP e a matéria de duas páginas, caderno Metrópole, do Estadão:

Militar vira "faz-tudo"
na administração Kassab

PMs fiscalizam de camelôs a táxis; 14 subprefeituras estão nas mãos de militares
Mais de 1.300 policiais atuam, por meio de uma parceria, para realizar o trabalho hoje feito por 700 fiscais municipais

EVANDRO SPINELLI
ROGÉRIO PAGNAN
DE SÃO PAULO

Fiscalização de camelôs, zeladoria de bairro, controle de táxis e motofretes, gestão de empresa pública e, se preciso, até fiscalização do Psiu.
Essas funções, antes exclusivas de funcionários civis na Prefeitura de São Paulo, vêm sendo transferidas cada dia mais para o controle de policiais militares na gestão Gilberto Kassab (DEM).
A militarização da administração Kassab começou em 2008, quando o coronel Rubens Casado foi nomeado subprefeito da Mooca para tentar moralizar uma região manchada por denúncia de corrupções de fiscais.
As suspeitas foram estancadas e, de lá para cá, Kassab passou outras 13 subprefeituras para oficiais da reserva da PM de São Paulo. Esse recorde foi registrado na semana passada, com a indicação do subprefeito de Aricanduva. No total, o município é dividido em 31 sub-regiões.
Essas indicações abriram caminho para prefeitura e PM fecharem um convênio chamado de "operação delegada". Por meio dessa parceria, mais de 2.500 policiais militares serão contratados até o final do ano para realizar trabalhos antes feitos pelos fiscais da prefeitura. Hoje, já atuam cerca de 1.300.
A prefeitura tem cerca de 700 fiscais para realizar todo o tipo de trabalho: da fiscalização de camelôs a de restaurantes e obras.
Os salários dos PMs são pagos pela prefeitura e os policiais fazem essa tarefa nos horários de folga. O principal foco é o combate ao comércio irregular. Por isso, em todas as regiões em que o comércio popular é mais forte, existem homens contratados pela "operação delegada" e um oficial da reserva no comando da subprefeitura.
A exceção é a Subprefeitura da Lapa (zona oeste). No restante, tudo está sob o controle dos militares, incluindo 25 de Março (Sé), José Paulino (Bom Retiro) e largos Treze (Santo Amaro) e da Concórdia (Brás).
A lista da militarização inclui também as áreas de trânsito e transporte.

REPERCUSSÃO

Para o deputado Major Olímpio (PDT), crítico de Kassab, essa parceria pode ser chamada de "casa grande e senzala". "Para os oficiais, as subprefeituras. Para os praças, nove horas debaixo de sol", disse.
José Vicente da Silva, ex-secretário nacional da Segurança Pública, diz que a utilização de oficiais da reserva é comum em Nova York e muito salutar para todos. "Eu só vejo com bom olhos", diz ele, coronel aposentado da PM.

Prefeitura quer dobrar
número de "policiais-fiscais"

Efetivo deverá ser aumentado para 5.000 no ano que vem, ao custo aproximado de R$ 100 milhões anuais
Ampliação de poderes dos oficiais militares aumenta o prestígio da corporação na opinião pública, diz sociólogo

DE SÃO PAULO

A Prefeitura de São Paulo pretende ampliar seu efetivo de "policiais-fiscais" no próximo ano para 5.000 homens e mulheres, num custo aproximado de R$ 100 milhões por ano.
Isso porque, além dos subprefeitos, os oficiais da reserva também passaram a ocupar na administração Gilberto Kassab outras funções estratégicas, como em algumas chefias de fiscalização, mesmo nas subprefeituras não comandadas por PMs.
De acordo com funcionários da prefeitura e militares da reserva, as indicações dos coronéis para postos na prefeitura partem do comandante-geral da PM, coronel Álvaro Camilo, e contam sempre com o aval de Kassab.

PRESTÍGIO

A ampliação de poderes dos oficiais da Polícia Militar, segundo o sociólogo Álvaro Gullo, aumenta o prestígio da corporação diante da opinião pública e a fortalece como instituição policial.
Esse fortalecimento atende aos interesses de coronéis da PM na disputa (não admitida) com a Polícia Civil para se sobrepor a ela em eventual unificação imposta por lei.
O interesse é, porém, manter da forma como está.
Com o controle de quase metade das subprefeituras de São Paulo, os oficiais conseguem uma aproximação com setores da sociedade civil que dificilmente conseguiriam apenas com o serviço policial.
Gullo diz que não concorda com a escolha de Kassab de colocar policiais militares nas subprefeituras. Essa função, segundo ele, é para administradores.
"Eles [os oficiais escolhidos] são pessoas reformadas. Têm formação diferente da de um administrador. Se o problema das subprefeituras fosse segurança pública, tudo bem. Mas não é", afirma o sociólogo.
O coronel da reserva José Vicente da Silva diz que a maioria dos oficiais superiores da Policia Militar de São Paulo possui grande experiência em gestão e uma série de especializações, além das exigidas para a área de segurança pública.

2 comentários:

Anônimo disse...

Parabens Prefeito Kassab.

Felizmene um adamnistrador de visao.

Quem deve avaliar e a populacao das subprefeituras, que pelo que aparenta tem melhorado.

Antonio Marcos Soldera disse...

Publiquei seu comentário porque não tenho nada a esconder ou temer. Gostaria que você mostrasse a mesma condição, saindo do anonimato. E, se possível, escrevendo um comentário mais claro e com mais correção gramatical...