Prêmio oportunista é recusado por Amanda Gurgel

Professora que meteu a boca
na hipocrisia das autoridades
repudia premiação oportunista
de empresários de São Paulo

O site da revista Carta Capital acaba de informar: a professora Amanda Gurgel – aquela mesma que desceu o cacete no sistema educacional brasileiro em depoimento na Assembleia Legislativa do Rio Grande Norte – se recusou a receber prêmio oferecido pelo Pensamento Nacional de Bases Empresariais, associação mantida por um grupo de empresários paulistas, para, claro, defender seus próprios interesses.

NP fica feliz com a posição da professorinha, que, mais uma vez, mostrou que não fez aquele discurso – visto por um milhão de pessoas via YouTube – simplesmente para aparecer, mas, sim, para denunciar, com conhecimento de causa, o descaso e a maneira hipócrita com que as autoridades tratam a educação neste país.

A professorinha potiguar deixou bem claro que não é trouxa ao repudiar de forma veemente a homenagem oportunista que o PNBE pretendia lhe oferecer, na categoria “educador de valor” – com rima e tudo. Em sua justificativa, a professora destacou que, “embora exista desde 1994, esta é a primeira vez que esse prêmio é destinado a uma professora”.

Amanda Gurgel: não à mercantilização do ensino
“Esse mesmo prêmio foi antes de mim destinado à Fundação Bradesco, à Fundação Victor Civita (editora Abril), ao Canal Futura (mantido pela Rede Globo) e a empresários da educação. Em categorias diferentes também foram agraciadas com ele corporações como Banco Itaú, Embraer, Natura Cosméticos, McDonald’s, Brasil Telecon e Casas Bahia, bem como a políticos tradicionais como Fernando Henrique Cardoso, Pedro Simon, Gabriel Chalita e Marina Silva. A minha luta é muito diferente dessas instituições, empresas e personalidades”, disparou.

A corajosa Amanda, que em seu discurso na Assembleia se queixou do salário que recebe como professora e da situação do sistema de ensino tupiniquim, disse que seus projetos são “diametralmente diferentes daqueles que norteiam o PNBE”, grupo mantido por empresários paulistas e, segundo ela, comprometido apenas com “a economia de mercado”, “à mercantilização do ensino e ao modelo empreendedorista”.

Eu seu site pessoal, Amanda defende a valorização do trabalho docente e a elevação para 10% da destinação do Produto Interno Bruto para a educação. Com base nisso, Amanda fechou com chave de ouro sua justificativa para o não recebimento do prêmio: “Não quero que nenhum centavo seja dirigido para organizações que se autodenominam amigas ou parceiras da escola, mas que encaram estas apenas como uma oportunidade de marketing ou, simplesmente, de negócios e desoneração fiscal”.

É isso aí, gente: Amanda não baiana, mas é porreta que só a gota! Eita!

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