Pedreiro acusa prefeitura de Boituva de descaso


Servidor municipal diz estar incapacitado
para trabalhar por desatenção da prefeitura
Gama se diz chocado com o abandono a que foi relegado pela prefeitura
Pedreiro concursado pela Prefeitura Municipal de Boituva, o pernambucano Gamaliel José dos Santos completaria no dia 11 de novembro próximo dez anos de trabalho, o que lhe renderia, pelo regime estatutário, 20% de aumento no salário.
No entanto, atualmente está afastado de suas funções, recebendo pelo Auxílio-Doença, o que lhe retira do salário o adicional de tempo de serviço (R$ 59,28) e o adicional de insalubridade (157,35), sem contar que se não puder voltar à ativa corre risco de não receber o prêmio pelos dez anos na Prefeitura.
Aos 55 anos, Gama, como é mais conhecido, diz que sua vida começou a mudar em março passado, quando na tarde do dia 6, uma terça-feira, ele e mais quatro servidores municipais foram soterrados quando a vala de uma obra municipal no Jardim Maria Conceição desbarrancou.

Em vermelho, o que Gama está perdendo
Sem banho, numa cama estropiada – Os outros servidores conseguiram sair, mas Gama levou a pior. “Um monte de terra caiu em cima de mim e eu fiquei soterrado com os joelhos dobrados Meus companheiros de trabalho escalaram em redor e conseguiram me livrar da terra da cintura para cima”, conta.
O trabalho foi completado pelos bombeiros que colocaram uma cinta em torno de Gama e o retiraram da vala, levando-o posteriormente ao hospital São Luiz, onde segundo o relatório da corporação teria ficado sob os cuidados “da Dra. Rafaela, CRM  nº 149.000”.
A história, no entanto, de acordo com a vítima, não é bem assim. “Não havia leito e fui jogado numa cama toda estropiada, sentindo muitas dores, pois fraturei costelas do lado esquerdo. Minha chegada ao hospital foi por volta de uma e meia da tarde, mas fiquei ali todo sujo até lá pelas sete e meia da noite, quando minha mulher chegou e pude então tomar um banho”, relata Gama, com a confirmação da esposa:
“Quando fui avisada, já começo da noite, corri para o hospital. Ele estava todo sujo de terra. Pedi autorização e fui então limpá-lo”, afirma a cabeleireira Terezinha.

Pedreiro se diz chocado com tanto descaso – Gama diz que, até por ser servidor público, não esperava tamanho descaso por conta da prefeitura. “Fui enfaixado e fiquei naquela mesma cama até a manhã de quinta-feira, quando fui despachado para casa”, relembra Gama.
Relatório dos bombeiros sobre a ocorrência
“Os médicos a serviço da prefeitura dizem que estou bem. Mas o fato é que o meu ombro e braço do lado esquerdo estão caídos e já não tenho forças na mão esquerda. Isso é só olhar para mim, para ver. Logo eu que levantava um saco de 50 quilos de cimento com uma mão só”, diz Gama, cumprimentado o jornalista com as duas mãos, para demonstrar a diferença de pegada entre uma e outra.
Gama exibe dois laudos de exames, com detalhes interessantes. Um deles, uma tomografia computadorizada do tórax feita no Centro de Diagnósticos Médicos por Imagem, de Boituva, realizado no dia 12/4/2012, praticamente um mês depois do acidente. No final da página, no item Impressão Diagnóstica, consta o seguinte: “fratura do 2º, 3º, e 4º arcos costais posteriores à esquerda”.

Com a palavra o secretário – O outro exame, feito em 23/5/2012, “um raio x da coluna dorsal e hemitorax esquerdo”, traz no final: “fratura dos arcos costais posteriores 2,3,4, 5 e 6 à esquerda com desvio inferior dos fragmentos laterais, sobretudo do segundo arco”.
Quer dizer, as fraturas aumentaram de três costelas para cinco? Gostaríamos que algum médico do SUS de Boituva se manifestasse, para esclarecer sobre o assunto, uma vez que somos leigos.
A notícia do acidente na manchete do Cidade de Boituva
NP também quer ouvir o secretário municipal de Serviços Urbanos, Orley Ivan Cardoso, que, no dia do acidente, segundo o jornal Cidade de Boituva, de 16 de março, agradeceu a Deus por ter muita gente trabalhando na hora, o que permitiu que se agilizasse o resgate do pedreiro Gama.
NP tentou falar com Orley  pouco antes de colocar no ar este post. Ele não estava. Sua secretária anotou nosso número de telefone e disse que ele ligaria mais tarde.
Gama, que diz sentir fortes dores todos os dias de manhã, afirma que vai procurar a Justiça para cobrar seus direitos.

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