SP 459: do barraco assobradado ao prédio de grife

Tijolo e madeira na Almirante Dellamare
O caos urbano, que é a marca registrada da paisagem brasileira, pode ser tristemente simbolizado pelas 900 mil moradias construídas de forma irregular na cidade de São Paulo, a metrópole mais populosa do continente americano e de todo o hemisfério sul.
A falta de planejamento e a inoperância do poder público na fiscalização permitem que uma boa parte dos quase 11,5 milhões de moradores de nossa querida Sampa, que no último dia 25 completou 459 anos de existência, habitem arremedos de construções, casas feitas sem nenhuma infraestrutura, levantadas à beira de córregos ou invadindo calçadas e avenidas de determinados bairros, como acontece com a Avenida Almirante Dellamare, nas proximidades da Favela de Heliópolis (foto acima).

BATENDO LAJE - De tijolo ou madeira, as casas são levantadas rapidamente e a pífia fiscalização da prefeitura não consegue acompanhar. A prefeitura diz que em quatro anos pretende regularizar 200 mil imóveis, e que este ano já foram aplicadas 70 multas por irregularidades, mas isso é uma gota d’água no oceano, como ressalta o arquiteto Eduardo Nardelli, atual presidente nacional da AsBea (Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura).
“É um problema social. As pessoas com menores recursos obviamente vão ficar com os piores terrenos porque são mais baratos ou às vezes até um lugar de graça emque ela se instalou em algum momento da vida", ressalta Eduardo Sampaio Nardelli
No município paulistano, para construir ou aumentar uma moradia, a pessoa precisa apresentar a planta à Secretaria de Habitação, pagar taxas e esperar a autorização para começar a obra. Mas, segundo dados da própria prefeitura, quase 900 mil foram levantadas sem seguir nenhum desses procedimentos. Em 2012, só pra variar, as multas não chegaram nem perto de 5 mil.
Nardell, que também é professor de arquitetura, diz que a explosão urbana nas últimas décadas superou a capacidade do poder público de fiscalizar.
"No final de semana tem o famoso churrasco na laje. Todo mundo se junta, bate a laje e pronto. Em um fim de semana tem um cômodo a mais surgindo.”

Edifício Vitra: apês a 8 milhas cada
GUETOS GRANFINOS - Enquanto isso, nos guetos mais nobres da metrópole paulistana, a assinatura de arquitetos de renome internacional deixa o preço de imóveis 30% mais caros e torna se moda entre os ricaços da cidade, segundo matéria do glorioso Estadão.
As grifes nacionais e internacionais do mercado incluem nomes como Daniel Libeskind, Isay Weinfeld, Gui Mattos, Jonas Birger e Patricia Anastassiadis.
O jornal cita o caso do Edifício Vitra, em obras no Itaim-Bibi, zona sul da cidade. “Projetado pelo polonês Daniel Libeskind, considerado hoje um dos papas da arquitetura mundial, o prédio terá forma de uma escultura triangular, com paredes revestidas em vidro e 14 apartamentos avaliados em R$ 8 milhões.”
E a coisa vai por aí afora mostrando os contrastes berrantes da metrópole iniciada pelos jesuítas, e que não foi “torcida” quando era pequena e hoje tornou-se um pepino gigantesco.

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