Feirão limpa-nome humilha ainda mais os lesados

Último dia da campanha limpa-nome: milhares de pessoas tostando ao sol
Apesar do friozinho de outono, sábado 27/4 teve sol quase o dia inteiro. Uma campanha alardeada por toda mídia levou milhares de pessoas ao estacionamento do Shopping Metrô Itaquera, na zona leste da capital paulista, para negociar dívidas e tentar limpar o nome, que foi jogado na lata do lixo por bancos e outras instituições de crédito deste glorioso País.
A maioria dos que estiveram lá tostando ao sol na fila para uma simples senha era composta de gente simples, humilde, que caíu na armadilha da prestação pequena, sem perceber os juros escorchantes que os bancos e lojas embutem em cada parcela.

BANCOS: SÓ ALEGRIA Não é sem motivo que os bancos brasileiros são os mais rentáveis na América Latina e até nos Estados Unidos, conforme mostra estudo divulgado no início deste mês, e que está lá no site da Andif - Instituto Nacional de Defesa do Consumidor do Sistema Financeiro.
Independentemente da classe social, os bancos atraem as pessoas e dão corda para que elas se enforquem. Os direitos civis já não são muito respeitados aqui e, quando o cidadão atola até o pescoço no lamaçal das dívidas, seu nome entra no índice dos excluídos e ele passa a ser um clandestino em seu próprio país.

MULTIDÃO LESADA Tachados de caloteiros, são tratados como escória e, muitas vezes, perdem o respeito até da própria família. Enquanto isso, os bancos e as lojas engordam seus lucros.
E, para 'limpar' o nome, a multidão de lesados é obrigada a sacrificar o seu sábado, debaixo de sol, para pegar uma senha numa fila quilométrica e tentar obter a benesse de negociar um acordo em condições que talvez possa cumprir.
É o fim da picada.