Executado a bala na gafieira por causa de uma flor

DANÇOU COM TIRO NO PEITO PORQUE
GANHOU CRAVO BRANCO DA MULHER
Saiu de casa, de terno tropical, camisa creme, lenço e gravata igual. Jantou e saiu satisfeito, pra antes da meia-noite morrer com um tiro no peito
Ela lhe deu o cravo, o outro se ofendeu. Ele olhou no revólver. Dava tempo e não correu. Dobrou os joelhos. Desabou no chão. Com os olhos redondos e o cravo branco na mão.
Ai, o pobre, caído no chão. Debruço no sangue, com o cravo branco na mão.

Paulo Emílio Vanzolini, paulistano da gema, nascido em 25 de abril de 1924 e falecido a 28 de abril de 2013. Acostumado a conviver com cobras e lagartos, o zoólogo internacionalmente conhecido costumava dizer que fazia sambas nas horas vagas.
Se desse jeito produziu Ronda, Volta por Cima, Na Boca da Noite e Amor de Trapo e Farrapo, imagine, caro leitor, se ele trabalhasse com música em tempo integral.
O texto do início deste post, grifado, é a letra do samba Cravo Branco. Uma verdadeira reportagem sobre ciúme e tragédia, bem ao estilo Notícias PopularesSó que poeticamente rimada e musicada.
Um primor que merece ser ouvido na voz do próprio, com sua língua sibilante – que alguns diriam língua presa – e o jeitão paulistano de falar.
Com um pouco de atraso, a homenagem de Notícias Populares, o blog, a essa pessoa sensacional, a esse Homem de Moral.

Ouça mais músicas de Vanzolini:
Capoeira do Arnaldo
Samba Erudito
Bandeira de Guerra


Um comentário:

Bel Ascenso disse...

Em boa hora, Soldera, o grande poeta se foi, e seu texto é uma bela homenagem! parabéns, bjk da Bel