Homenagem para lembrar: ditadura nunca mais!


Num tempo em que celerados pedem para comemorar o 31 de março de 1964, data em que um golpe militar lançou o Brasil numa sangrenta  e cruel ditadura de 21 anos, a Praça Vladimir Herzog,  na região do tradicional Bairro do Bixiga, em São Paulo, ganhou na véspera do dia do jornalista, 7/4, uma escultura do artista plástico Elifas Andreato inspirada no troféu do Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos.
O jornalista que dá nome à praça foi assassinado em 1975 após se apresentar voluntariamente às autoridades do DOI-CODI, centro de inteligência e repressão da ditadura civil-militar (1964-1985). À época, integrantes do Exército alteraram a cena do crime e divulgaram uma fotografia para reforçar a versão de que Herzog teria cometido suicídio. Após o fim do regime, a versão de 'suicídio' foi totalmente descartada e o Herzog entrou para a lista oficial dos assassinados pela ditadura.


Elifas Andreato, autor da obra
DIREITOS HUMANOS Tanto a réplica, quanto o troféu que todo ano premia os jornalistas que mais se destacaram em reportagens focadas na defesa dos direitos humanos - e não dos 'humanos direitos', como querem integrantes do (des)governo atual, são obras assinadas por Elifas Andreato, que esteve presente à inauguração.
Para o jornalista Juca Kfouri, uma das personalidades presentes ao evento, disse que a homenagem não poderia vir em momento mais apropriado:
"É importante lembrarmos aqui hoje o que o pessoal de plantão no Palácio do Planalto quer negar. É importante que a sociedade saiba que em São Paulo tem uma praça de nome Vladimir Herzog, que foi um dos mártires da ditadura. Um dos, entre mais de 400", lembrou Juca.
Já, o presidente do Instituto Vladimir Herzog, Ivo Herzog, filho do jornalista assassinado pela ditadura, ressaltou que a praça também pode servir para manter vivas as lembranças desse triste período, ante as mentiras propagadas por conservadores mal-intencionados.


Ivo Herzog: resistência
CONTRA O NEOFASCISMO "Além da questão da memória, a praça pode servir como instrumento de resistência contra a postura neofascista do governo atual. que quer reescrever livros e ela  sendo ao lado do parlamento municipal tem um simbolismo muito forte", disse Ivo Herzog, referindo-se ao fato de a praça estar localizada próximo à Câmara Municipal de São Paulo.
A vereadora e jornalista Soninha Francine (foto inicial), responsável pela iniciativa, destacou que o processo que resultou neste evento "atravessou diversas legislaturas e que homenageia na pessoa do Vladimir Herzog, os jornalistas, o jornalismo e o direito à informação, tudo numa praça, que é um espaço de convivência da população. Não poderia ser num local mais apropriado", completou.


((Texto: A.M.Soldera // Reportagem e fotos: Francisco Souza))

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